O
25 DE NOVEMBRO DE 1975
25NOV2011
O 25 de Novembro
representa a vitória dos militares
abrilistas moderados, certamente apoiados
por todos os militares não radicais,
e pelos civis não revolucionários,
sobre os abrilistas radicais. Abrilistas,
todos, responsáveis não
apenas pela revolta contra a inserção
de combatentes milicianos nas suas escalas
de promoção, mas também
muitos deles, embora moderados, por se
haverem deixado enredar pelos radicais,
na política de destruição
da Pátria Ultramarina, destruição
em que andavam, igualmente, envolvidos
jovens fugidos à guerra e políticos
civis, em geral ausentes no estrangeiro,
de ambos os quais saiu a nata dos responsáveis
que vieram a tomar conta da política,
do governo e da administração
do País, depois do 25 de Abril.
Com o 25 de Novembro conteve-se o extremismo
militar e o caos político-social
que estava a ser impulsionado e que provavelmente
terminaria numa guerra civil e/ou, mesmo
numa intervenção estrangeira.
Isso constitui uma extraordinária
dádiva em relação
a cujos autores, mandantes e executantes
se tem de prestar a homenagem do nosso
profundo apreço e da nossa gratidão.
Infelizmente já não puderam
então ser corrigidos os crimes
e os erros que, do meu ponto de vista,
tinham sido cometidos, nem travados os
que se lhes seguiram: a insubordinação
militar; a politização da
insubordinação; o golpe
militar; a desistência da defesa
do Ultramar, por vezes com vergonhosos
abandonos locais; e a interferência
ideológica de militares na chamada
"descolonização".
Acções que, especialmente
em tempo de guerra, desonram os militares
intervenientes e mancham a própria
Instituição.
Estes crimes e erros deram origem à
situação triste que hoje
vivem as Forças Armadas, por vezes
ignoradas, mal tratadas, desconsideradas
social e materialmente, ultrapassadas
que foram (e se deixaram ser) por instituições
que lhes eram equiparadas. Forças
Armadas em relação às
quais chegou a ser posta em causa a necessidade
ou vantagem da sua existência. Isso
certamente porque, por um lado, o inconsciente
colectivo do nosso povo registou, e não
perdoa, que seus militares, formados e
pagos para defenderem a Pátria,
como juraram, desistissem de o fazer,
após o sacrifício valoroso
de tantos dos seus filhos; e por outro
pela habilidade com que políticos
cúmplices de tais militares têm
sabido tirar proveito de tal situação
ignominiosa criada. Só o tempo,
e o adequado comportamento de novas gerações
de militares e civis, mas não a
História, irão esfumando
tal registo na memória colectiva
e reabilitando a Instituição.
Não puderam, também, ser
afastados outros erros que levaram o País,
generosamente ajudado, há várias
décadas, a não dispor de
responsáveis capazes de o administrarem
com eficiência, e permitiram que
fosse malbaratada a ajuda que foi aproveitada
quase que apenas em obras públicas.
E, assim, degrau a degrau, entre muita
conversa, muita reunião, muitas
viagens, muita política, muitos
governos, acabámos por cair na
profunda e generalizada crise, moral e
económico-financeira, em que nos
encontramos.
De todos estes erros resultou igualmente
a situação proporcionada
à generalidade das parcelas do
antigo Ultramar o qual, numa política
que os abrilistas não entenderam,
estava a ser ajudada pelo Estado, a partir
do interior de cada parcela, não
como um império para o qual não
havia nem vocação, nem capacidade.
Mas sim como uma comunidade com a integração
continuamente mais perfeita de toda a
sua gente, e sucessivamente globalizada,
na sua total dimensão, como agora
se diria. Política que, como então
se dizia, constituía uma ponta
de lança no Mundo futuro. Seria
um exemplo que, se seguido, evitaria a
desordem que tem invadido grande parte
da África, generalizada a guerra
e a fome, e que está a impulsionar
os movimentos migratórios em direcção
à Europa.
Tudo poderia ter sido diferente se a superioridade
conseguida, valorosamente, na luta contra
a subversão nos campos militar
e político-administrativo, principalmente
nos teatros de guerra de Angola e Moçambique
(superioridade aqui estupidamente ignorada,
contestada e subavaliada) não tivesse
sido delapidada pelo surto de indisciplina
que deu origem ao 25 de Abril e que os
abrilistas não souberam evitar
que se instalasse, com o apoio ideológico
de forças políticas radicais,
no Portugal europeu e se propagasse ao
Ultramar. E, sobretudo, se tivesse havido
"25 de Novembros" que houvessem
impedido de por lá persistirem
"precs" que omitiram, e se opuseram,
à Democracia e ao Desenvolvimento
prometidos pelo 25 de Abril, devotados
que os abrilistas radicais, militares
e civis, estavam naquilo que entendiam
como "descolonização":
libertarem-se da guerra e entregarem o
Ultramar aos movimentos marxistas.
Silvino Silvério Marques
General
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