SENHORA
DA CONCEIÇÃO, SALVAI PORTUGAL!
08DEZ2011
A Igreja Católica
festeja em 8 de Dezembro a Imaculada Conceição
de Maria, a Mãe de Deus e dos homens,
porque os seus fiéis acreditam
que a Virgem de Nazaré foi concebida
pelo Criador desde toda a eternidade para
vir a ser o Vaso Sagrado que encerraria
o Deus Menino, o Salvador do Mundo, e
acreditam que foi dotada de singulares
privilégios que a tornaram única
e a mais perfeita de entre todas as criaturas.
Inumeráveis gerações
de cristãos, de muitas raças
e línguas, abraçaram naturalmente,
com os olhos da alma e a força
do amor, a convicção de
que na pessoa da Mãe de Cristo
achavam-se reunidas, em grau superlativo
e jamais igualado, admiráveis qualidades
e excepcionais virtudes.
É pois natural que esse sentimento
inspirasse a vida dos cristãos.
Por isso a Virgem Maria tem sido, desde
remotos tempos, reverenciada e bendita
por prosadores e poetas, cantada e celebrada
por cantores e músicos, invocada
e venerada pela imensidade do povo de
Deus e a sua santa imagem tem sido esculpida
ou representada por muitos escultores
e pintores; pobres e ricos, humildes e
poderosos, doentes e sãos, ignorantes
e sábios, todos a têm admirado
e glorificado nos excelsos e extraordinários
dons com que Deus a distinguiu acima de
todas as criaturas.
A dádiva da Virgem Santíssima,
feita pelo Criador às criaturas,
é de facto um maravilhoso tesouro
de graças e de bênçãos,
verdadeira Arca da Aliança entre
deus e a humanidade. Os seus predicados
não resultaram do acaso ou da imaginação
dos teólogos e crentes, mas da
graça que a sua alma encontrou
em Deus, para ser o Sacrário do
Verbo Incarnado; para o efeito, a Virgem
Maria foi especialmente enriquecida de
dons, isenta de qualquer mácula,
sobrenaturalizada pela graça e,
por isso, mereceu ser saudada pelo Anjo
como bendita entre todas as mulheres.
As homenagens prestadas pelos católicos
à Virgem Maria, em 8 de Dezembro,
sob a invocação da sua Imaculada
Conceição, têm um
especial significado para nós,
portugueses, porque foi naquele dia do
ano de 1646 que os representantes da Nação,
por proposta d'El Rei D. João IV,
proclamaram Nossa Senhora da Conceição
padroeira e protectora de Portugal.
É um facto que as mais belas páginas
da História Pátria foram
escritas quando os portugueses comungavam
a mesma fé e dela davam testemunho,
suportando perigos, trabalhos e sacrifícios,
quando se dispunham a temerárias
empresas para levar o Evangelho de Cristo
aos pagãos, ao mesmo tempo que
eram dilatadas as fronteiras da Pátria
e o nome de Portugal era conhecido e respeitado
em todo o Mundo.
Não é despropositado lembrar
que Portugal foi feliz nos grandes empreendimentos
a que outrora se abalançou enquanto
se manteve fiel à fé dos
seus antepassados; aquela mesma fé
que estes conservaram durante a dominação
árabe, que confessaram nos alvores
da nacionalidade e que presidiu à
consolidação da independência;
aquela mesma fé que animou os nossos
mareantes a devassar os mares desconhecidos,
que confortou os obreiros dos descobrimentos
e que abrasou de zelo os nossos missionários
e foi levada a todos os cantos da Terra,
para salvação de muitas
e variadas gentes.
E é curioso verificar que a face
do País mudou por completo, quando
as classes dirigentes deixaram-se seduzir
pela seita maçónica, cujos
objectivos foram sempre a destruição
da Igreja Católica e a subversão
da moral cristã. Infelizmente o
escol responsável e os portugueses
que por ela se deixaram enganar não
tiveram discernimento bastante para ponderar
os tremendos danos produzidos na consciência
religiosa da Nação pelos
ataques à Igreja desferidos pelo
marquês de Pombal, ataques esses
que foram retomados pela Maçonaria
durante os últimos cem anos da
Monarquia e prosseguidos durante a primeira
República.
Com uma acção política
hostil à Igreja e com a adopção
de leis visando reduzir ou suprimir o
influxo do seu magistério na vida
do povo, que já contava com alguns
séculos de vivência cristã,
o escol desnacionalizado do País
foi de facto o promotor da ruína
de Portugal, pois a sua direcção
traduziu-se na quebra da unidade religiosa,
na decadência moral e na discórdia
permanente agravada por vários
períodos de acesa guerra civil.
Após a golpada de 74, os esteios
da unidade e da força moral da
Nação voltaram a sofrer
novos danos. Deixando-se enganar pelos
demagogos, oportunistas e parasitas, pelos
traidores e trafulhas, os portugueses
consentiram que os bandos marxistas e
as chafaricas maçónicas
implantassem a tirania e usassem do poder
para ofender os sentimentos religiosos
da Nação, zombando da sua
fé, cerceando os direitos e liberdades
da Igreja, usurpando as suas obras e bens,
legislando contra a instituição
familiar, fomentando a dissolução
dos costumes, favorecendo a pornografia
e a devassidão, subvertendo os
princípios da moral cristã,
corrompendo a juventude e impondo-lhe
uma educação eivada de grosseiro
materialismo.
O logro em que os portugueses caíram
mais uma vez ficou bem evidenciado na
incoerência duma nação
de maioria católica ser dominada
e ter, nos principais lugares da governação
ou nos órgãos de soberania,
uma caterva de indivíduos recrutados
em facções políticas
que combatem ou proscrevem qualquer credo
religioso, especialmente o catolicismo.
Seria sinal positivo, de prudência
e de sensatez, que o povo cristão,
em suas preces, rogasse à Padroeira
de Portugal que não abandone a
nossa Pátria, que a livre de perigos
que a espreitam e que suscite em todos
nós uma fé mais esclarecida
e responsável, para melhor sabermos
vivê-la, em consonância com
o Evangelho de Cristo e, também,
para que seja fonte de inspiração
numa menos desastrada e incoerente escolha
de dirigentes, a fim de que em breve seja
possível resgatar a Nação
e conduzi-la por caminhos dignos das suas
multisseculares tradições
cristãs.
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