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A CRISE
QUE OS PORTUGUESES VÃO SENTIR EM
2012
Com o novo ano
chegaram também os aumentos. Portugal
prepara-se para uma subida de preços
generalizada provocada pelo agravamento
do IVA, mas também pela actualização
dos preços com a taxa de inflação.
A juntar ao fim dos subsídios para
o sector público e ao aumento do
horário de trabalho no privado,
os portugueses vão enfrentar um
ano mais caro nos mais variados sectores
como os transportes, a saúde e
a alimentação. Depois de
um Natal já com subsídio
reduzido, os portugueses vão sentir
em 2012 os efeitos de uma governação
incompetente e criminosa que arrastou
o País para a grave situação
em que hoje se encontra.
Transportes: Agosto foi o mês do
aumento do preço dos transportes
públicos. O governo fixou em 15%
o aumento médio nos preços
dos títulos de transportes rodoviários
urbanos de Lisboa e do Porto, dos transportes
ferroviários até 50 quilómetros
e dos transportes fluviais. Em vários
casos, os títulos de transporte
aumentam mais de 20%. Apenas um mês
depois da entrada em vigor das novas tarifas
dos transportes, o ministro das Finanças
prometeu à troika uma subida extra
dos preços em 2012, para melhorar
a situação financeira das
empresas de transportes públicos.
Saúde: A saúde é
um dos sectores mais críticos.
Uma ida às urgências vai
custar 20 euros e uma consulta nos centros
de saúde 5 euros. As taxas moderadoras
das consultas nos hospitais e nos serviços
de atendimento permanente dos centros
de saúde vão subir para
os 10 euros, quando actualmente custam
3,10 euros. Também as consultas
ao domicílio sofrem um aumento,
passando dos 4,80 euros para os 10 euros.
O governo fixou ainda um limite máximo
de 50 euros, a cobrar apenas nos meios
complementares de diagnóstico e
terapêutica que custem 500 euros
ou mais. Alguns medicamentos vão
deixar de ser comparticipados.
Restaurantes: Jantar fora vai passar a
ser um luxo apenas acessível a
alguns. A restauração viu
o IVA passar de 13% para a taxa máxima,
23%. Esta medida é uma das mais
polémicas ditadas pelo governo.
Com a taxa do IVA na restauração
a 23%, é a sobrevivência
do turismo que fica em causa, uma vez
que os serviços de alimentação
e bebidas representam actualmente 45,4%
do consumo dos estrangeiros que visitam
Portugal. Cerca de 21 mil empresas do
sector devem encerrar e 47 mil pessoas
vão ficar sem trabalho. O sector
do turismo, um dos mais dinamizadores
da economia nacional, irá ser fortemente
prejudicado por este aumento passar Portugal
para o top cinco dos países da
zona euro com maior taxa de IVA no sector
da alimentação e bebidas.
O aumento do IVA para 23% vai também
afectar muitos outros produtos, o que
acabará por se reflectir nos preços
a cobrar pela própria restauração.
Tabaco: O imposto sobre o tabaco sobe
para 50%. Os cigarros enrolados aumentam
o seu imposto dos actuais 45% para os
50% e o tabaco de enrolar vai aumentar
dos 60% para os 61,4%. É de referir
que, com o aumento do preço dos
maços de cigarro, muitos fumadores
passaram a optar pelo tabaco de enrolar.
A taxa de imposto sobre os charutos e
as cigarrilhas passa dos actuais 13% para
os 15%. As consequências desta medida
são, para além do aspecto
financeiro e do aumento do crédito
malparado, o aumento da criminalidade,
através dos assaltos a estabelecimentos
comerciais e a carrinhas de distribuição,
bem como o contrabando e a contrafacção.
Telecomunicações: As telecomunicações
também não vão escapar
aos aumentos. As três operadoras
móveis começam o ano a actualizar
os tarifários com uma subida média
de 3,1%, valor que corresponde ao ajustamento
à inflação. Em 2009
os aumentos tinham rondado os 2,5%, apesar
da inflação negativa de
0,8%. O ajustamento à taxa da inflação
é a justificação
apresentada pelas empresas, que já
tinham aumentado os preços 2,2%
em 2011.
Renda da casa: As rendas das casas antigas
vão ser actualizadas até
4,79% para os arrendamentos até
1967 e até 3,19% para os posteriores.
A variação é calculada
com base no valor da inflação
dos últimos meses, mas sem ter
em conta os preços da habitação.
A actualização das rendas
das casas antigas um regime criado
em 1985 para arrendamentos anteriores
a 1 de Janeiro de 1980 vai aumentar
em 2012, de 0,45% para os arrendamentos
anteriores a 1967 e de 0,3% para as rendas
contratadas depois desse ano. Também
no sector imobiliário já
se começam a sentir os efeitos
da crise. A procura de casas para arrendar
atingiu no passado mês de Setembro
o nível mais elevado dos últimos
dois anos.
Gás: A subida do IVA nos produtos
energéticos deverá voltar
a reflectir-se no aumento do preço
do gás. Os clientes de gás
natural das distribuidoras dos grupos
EDP e Galp vão voltar a sofrer
um aumento adicional médio da sua
factura. Em Julho passado, os consumidores
foram confrontados com uma subida das
tarifas do gás de 3,9% depois de
o governo ter antecipado o aumento do
IVA sobre o gás natural, que passou
da taxa reduzida para a máxima.
Feitas as contas, para uma família
tradicional (um casal com dois filhos)
e com um consumo tipo de 320 metros cúbicos
por ano, cuja conta mensal rondaria 22,41
euros, esta despesa passou para 23,25
euros após a entrada em vigor a
1 de Julho do aumento tarifário
de 3,9%, que é válido até
30 de Junho de 2012.
IMI: O fisco já começou
a avaliar cerca de 5 milhões de
imóveis que não foram transaccionados
desde 2004. A avaliação
vai incidir sobretudo em prédios
urbanos que ainda não foram transaccionados
desde que o Código do Imposto Municipal
sobre Imóveis (IMI) entrou em vigor
e, como tal, não voltaram a ser
reavaliados. As taxas de 2012 variam entre
0,2% e os 0,4%. A subida vai ser feita
de duas formas: as taxas serão
agravadas 0,1 pontos percentuais, que
passarão assim a variar 0,3% e
0,5%, e o limite do coeficiente de localização
passará de 2 para 3,5.
Alimentos: Passam da taxa intermédia
para a taxa normal de IVA os derivados
de frutas, como as "conservas de
frutas ou frutos, designadamente em molhos,
salmoura ou calda e suas compotas, geleias,
marmeladas ou pastas", bem como os
frutos secos, ficando as frutas frescas
na taxa reduzida. Os aumentos vão
afectar produtos diversos, de refeições
pré-congeladas a café em
pó. Margarinas, óleos alimentares,
frutos secos e fruta de conserva vêem
o IVA aumentar dos 13% para os 23%. Já
as batatas fritas congeladas, os refrigerantes
e as sobremesas lácteas passam
de 6% para 23%. Também o pão
vai ficar mais caro.
Electricidade: A factura de electricidade
dos portugueses vai aumentar. Este aumento
traduz-se num acréscimo mensal
de 1,75 euros por mês para uma conta
média de cerca de 50 euros, já
com a actualização do IVA
de 6% para 23%, em vigor desde Outubro
de 2011. A tarifa social, que vai beneficiar
cerca de 660 mil clientes vulneráveis,
vai ter um acréscimo de 2,3% representando
cerca de 57 cêntimos numa factura
média mensal de 26 euros já
com o IVA de 23% incorporado.
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