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NOMEAÇÕES
POLÍTICAS NA EDP: JÁ NÃO
HÁ DESCARAMENTO!
As nomeações
para a EDP estão aí. Catroga,
Cardona, Teixeira Pinto, Rocha Vieira,
Braga de Macedo... Isto não é
uma lista de órgãos societários,
é a lista de agradecimentos de
Passos Coelho. O impudor é tão
óbvio nas nomeações
políticas que nem se repara que
até o antigo patrão de Passos,
Ilídio Pinho, foi contratado.
É extraordinário como uma
empresa em vias de total privatização
se consome na absurda politização.
Este Governo não gosta de Mexia
nem do poder da EDP mas quando os chineses
perguntaram se o queriam, Passos não
se opôs remeteu a decisão
para os accionistas. A troca foi esta
lista de famosos da política.
Para ser isto, o CGS da EDP devia ser
extinto. Este órgão, criado
para gerir o equilíbrio entre o
Estado e privados, tornou-se numa loja
de vendedores e vendidos.
Voltemos às nomeações.
Podíamos dizer que não está
em causa o mérito pessoal de cada
uma destas pessoas, mas está. Porque
o mérito que está a ser
recompensado não é o técnico
ou sentido estratégico, é
o da lealdade e trabalho político.
É Catroga ter suado por Passos
como "ministro sombra", é
Teixeira Pinto ter feito a proposta de
revisão constitucional, é
Braga de Macedo ter feito uma estratégia
para a internacionalização
que foi triturada por Portas.
Passos Coelho reincide na fórmula
tenebrosa da Caixa Geral de Depósitos,
reforçando a dose: dois cavaquistas
(Catroga e Rocha Vieira), dois passistas
(Braga e Teixeira Pinto) e um CDS (Celeste
Cardona, a mulher mais polivalente de
Portugal, já foi secretária,
ministra, banqueira e agora será
conselheira na Energia).
Duas linhas para Ilídio Pinho:
é um empresário que está
ligado ao Oriente e não precisa
deste cargo para nada. Precisam talvez
as suas empresas. E é pouco recomendável
ver metido nisto o accionista e membro
dos órgãos da Fomentivest,
onde trabalhava Passos Coelho. O próprio
devia sabê-lo e não
aceitar.
Por esta lógica, ainda veremos
Ângelo Correia ou José Luis
Arnaut assomarem numa das próximas
nomeações (a próxima
é já a Portugal Telecom).
O problema é que, enquanto isso,
milhões de portugueses estão
a perder salários, empregos, a
pagar mais impostos, mais pelas rendas
ou pela saúde. Estas nomeações
são uma provocação
social. Porque enquanto muitos tratam
da sua vida, alguns tratam da sua vidinha.
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