A
PADROEIRA DE PORTUGAL
08DEZ2011
O mês de
Dezembro é um dos mais ricos da
liturgia católica e oferece a particularidade
de ser aquele em que pelo menos duas das
festividades têm implicações
na História Pátria, traduzindo
a benfazeja aliança entre a Cruz
e as Armas de Portugal; e tal facto não
é de estranhar porque as quinas
nasceram de um acto de fé na Cruz
do Redentor. Foi por meio dessa aliança
que a Igreja dilatou a Fé e foi
beneficiando dela que Portugal fez-se
famoso e teve projecção
universal; mergulhando suas raízes
nas verdades eternas da mensagem de Cristo,
a alma nacional abalançou-se a
ousados empreendimentos, alargou as fronteiras
da Europa, embarcou nas caravelas, iluminou
Continentes e deu ao Mundo novos mundos.
É no mês de Dezembro que
a Igreja festeja com grande júbilo
o nascimento de Deus Menino, o Filho do
Altíssimo incarnado no seio de
Maria. É a 3 de Dezembro que a
Igreja festeja o varão justo e
santo que, evangelizando os povos do Oriente,
acrescentou o domínio espiritual
de Portugal, tornando-o conhecido, respeitado
e amado em vastas regiões da Terra;
S. Francisco Xavier, missionário
de primeira grandeza e grande Apóstolo
de Cristo, anunciando a Boa Nova, alargou
as fronteiras da nossa Pátria e
universalizou o génio lusíada.
No primeiro dia de Dezembro, a Nação
comemora o aniversário da Restauração
da Independência; é o povo
português que festeja a vontade
indómita dos bravos conjurados
que, enfrentando a fúria castelhana,
estimularam as energias reprimidas de
um povo resolvido a optar pela morte,
a ter que viver na escravidão;
é o Portugal genuíno que
aplaude o reatamento do fio quebrado da
sua sublima missão no Mundo: rasgar
trevas e espalhar a Luz, evangelizar povos
e civilizar terras, implantar cristandades
e construir impérios!
Finalmente, a 8 de Dezembro a Igreja festeja
a Conceição Imaculada de
Maria, Mãe de Deus e Mãe
dos homens. Nós, portugueses, não
podemos deixar de prestar as melhores
homenagens à Virgem das Virgens,
porque o fundador da nação,
o rei D. Afonso Henriques, por mercê
d'Aquela que é a Saúde dos
Enfermos, tornou-se são de corpo
e forte de braço para talhar a
golpes de montante as fronteiras de Portugal.
Seria imperdoável ingratidão
se não unissem as suas vozes às
da Igreja os netos daqueles ousados guerreiros,
de rubra Cruz de Cristo sobre a armadura,
que aos brados de S. Tiago e Virgem Maria,
escalaram afoitamente as muralhas de Lisboa,
Santarém, Silves e Tavira e baniram
o invasor.
Não podem deixar de glorificar
a Virgem Poderosa os leais portugueses
de hoje que, por imperativo da ancestralidade,
sentem correr em suas veias o sangue daqueles
que, às ordens de D. João
I e do Santo Condestável, venceram
as armas de Castela em Atoleiros, Valverde
e Aljubarrota; daqueles que nessas gloriosas
pugnas imolaram suas vidas com os olhos
e corações postos no augusto
fanal que, adejando sobre os campos de
batalha, ostentava em seu alvo pano e
por entre os braços da Cruz do
Salvador, a doce imagem da Virgem Santa
Maria.
O Portugal de hoje, embora indigno dos
sacrifícios do Portugal dos séculos
XV e XVI, do Portugal Cavaleiro de Cristo,
tem o dever de suplicar à Rainha
dos Mártires pela bem aventurança
do Portugal ferido em mil prélios,
consumido em duras empresas, esgotado
de fadigas, moído de ausências,
dilacerado de dor, morto de sede ou abismado
no fundo dos mares, isto é, pelo
Portugal martirizado que sofreu e se imolou.
Nas homenagens em louvor e glória
da Rainha de todos os Santos, não
podem deixar de participar os que se honram
de descender daqueles arrojados navegadores
que, deixando terras e lares e por Deus
e pela Pátria, aventuraram-se em
frágeis caravelas fiados nas invocações
à Virgem Santa e, guiados pela
Estrela dos Mares e Senhora dos Navegantes,
devassaram os oceanos, sofreram naufrágios
e suportaram mil tormentas.
Para culminar o reconhecimento da protecção
dispensada pela Mãe de Cristo à
nossa Nação, por proposta
do Rei Restaurador, em 8 de Dezembro de
1646, as Cortes portuguesas solenemente
proclamaram Nossa Senhora da Conceição,
concebida sem mácula original,
particular, única e singular Padroeira
e Protectora de Portugal; e, para concretizar
tal aclamação, o Rei que
foi fiador e garantia da nossa Independência,
depôs aos pés de Nossa Senhora
da Conceição de Vila Viçosa
a sua própria coroa real.
E fiados em tão alta protecção,
os nossos avós, acorreram às
fronteiras de armas nas mãos, empenharam-se
em batalhas durante 28 anos, jogaram suas
vidas em muitos combates, resgataram o
Brasil e restauraram a soberania portuguesa
em Angola!
É penoso verificar que depois de
tantos séculos de imorredoira glória
se tenha deixado mutilar a unidade da
Fé, vilipendiar os sentimentos
religiosos do povo e se tenha afastado
da grandeza de outras eras; para maior
vergonha, as antigas epopeias foram substituídas
por lutas fratricidas e traições,
que dissiparam bens, roubaram vidas, cavaram
ódios e colocaram a Pátria
em situação humilhante.
Porém, a despeito das vilanias
e ingratidões, a Virgem Maria amerceou-se
do povo que se considerava seu filho;
mostrando o seu amor pela nossa terra
e tendo em consideração
os merecimentos alcançados pelo
Portugal dos nossos Avós, a Virgem
Santíssima honrou-nos escolhendo
um cantinho humilde da nossa Pátria,
a Cova da Iria, para transmitir pessoalmente
a três pastorinhos a sua mensagem
de salvação para todo o
Mundo.
Glória à Rainha e Padroeira
de Portugal!
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