Carlos Pinto, antigo Presidente da Câmara da Covilhã e actual vice-presidente do Aliança — o partido de Santana Lopes —, foi acusado de peculato, prevaricação e participação económica. A notícia avançada pela imprensa diz que na origem das acusações está a alegada construção ilegal de uma casa de família e o pagamento de pareceres jurídicos com dinheiro da autarquia.

A casa em questão fica situada junto ao Data Center da Covilhã, numa parcela de terreno menor que os cinco mil metros quadrados impostos por lei e, nesse contexto, desrespeita o plano director municipal. Como nasceu fora do espaço urbano e era de uso predominantemente agrícola — condicionantes que requerem avaliação externa —, foram necessários pareceres jurídicos junto de especialistas, algo que Carlos Pinto terá solicitado utilizando cerca de 50 mil euros da autarquia que dirigia.

É com base nestes factos que o Departamento de Investigação Penal de Coimbra acusa o ex-autarca da Covilhã e ainda o Director do Departamento de Urbanismo, Jorge Galhardo, que ainda se mantém no mesmo cargo. A acusação foi deduzida poucos dias depois do congresso do Aliança.

Segundo a acusação, corria o ano de 2007 quando o autarca supostamente utilizou o anterior proprietário do terreno (entretanto falecido) como testa de ferro para instruir os pedidos iniciais de informação prévia e licenciamento da construção.  Só um ano mais tarde é que pediu a alteração da titularidade da licença, por ser o novo dono da parcela. Outra discrepância em todo este caso é o facto de a casa ficar perto do Aeródromo da Covilhã, e necessitar, por isso, de uma autorização especial emitida pela ANA Aeroportos, algo que só foi pedido depois da autorização de construção da casa ser aprovada.

Em Julho de 2017, Carlos Pinto foi condenado a três anos de pena suspensa por crime de prevaricação. A haver nova condenação baseada no mesmo crime, o vice de Santana Lopes corre o risco de ser sentenciado a cumprir prisão efectiva.