Luís Henriques

Construído para prestar homenagem e preservar a memória duma época e de todos aqueles que se bateram na defesa da integridade de Portugal, o Monumento aos Combatentes do Ultramar aponta também ao respeito das gerações vindouras pelo espírito de sacrifício e o patriotismo dos que generosamente responderam ao apelo da Pátria e, por essa nobre causa, experimentaram fadigas e trabalhos, sofrimentos e privações, e não poucos encontraram a morte dos heróis.

Como seria de esperar, a classe política de então, os senhores do poder e as suas camarilhas não mostraram o menor interesse pela construção do monumento e muitos deles até caluniaram as instituições que tomaram a iniciativa, e os que não se denunciaram denegrindo as intenções dos patriotas, cautelosamente tomaram a postura do silêncio e da indiferença.

O Monumento teve a sina, ainda antes de erguido, de atrair a hostilidade aberta ou velada de uns quantos bandalhos marxistas e seus cúmplices, especialmente dos que desampararam Portugal tomando os caminhos vergonhosos da deserção, crime pelo qual ainda hoje estão impunes. Compreende-se a sua aversão ao Monumento porque este, apenas pelo nome que lhe puseram, é a grande homenagem aos que se bateram pela grandeza da Pátria e é, ao mesmo tempo, uma pública condenação dos que fugiram ao dever, especialmente dos que se aviltaram mancomunando-se com os inimigos de Portugal.

E é no dia 10 de Junho, Dia de Portugal, que o Monumento se veste a rigor para receber os seus filhos, milhares de patriotas que ali vão honrar os que serviram Portugal; é ali o local certo para se comemorar a Pátria de quase nove séculos de existência.

Criado antes de 1974 com o objectivo de não cavar divisões entre os Portugueses, o Dia de Portugal chegou até a ser proibido de se comemorar depois do 25 de Abril, justamente na altura em que os abrilistas proclamavam as “amplas liberdades”… No actual contexto, as comemorações oficiais do Dia de Portugal têm vindo, ano após ano, a perder importância e notoriedade ao ponto de estarem reduzidas a meras palavras e discursos de circunstância e à oferta avulsa de condecorações a uns quantos apaniguados políticos…

Foi preciso que o poder caísse nas mãos de gente mesquinha e irresponsável para que se oficializasse a negação nacional, se exaltasse o desprezo pelos vultos da História Pátria, se enxovalhasse o nosso passado de glória, se injuriassem as mais nobres tradições da grei e se desprezassem os mais genuínos usos e costumes do povo português. Não admira que num clima de tão ostensivo suicídio, os valores, datas e símbolos nacionais sejam propositadamente feridos, postergados, humilhados e esquecidos, deixando os jovens numa ignorância tremenda.

Não adiantará muito a tomada de providências para que aos nossos filhos seja ensinado o Hino Nacional e dadas a conhecer as cores da Bandeira de Portugal, se aos adultos, especialmente aos anichados nos órgãos do poder, nas estruturas sindicais, nas escolas e academias e também na comunicação social, for consentido o vilipêndio e a injúria aos valores e mensagens decorrentes daqueles símbolos da nossa Pátria.